Para você ficar por dentro leia, assista ou acesse:

  • Filme: A lingua das mariposas. Por Fernando Bovaira, José Luis Cuerda
  • Filme: A Rainha. Dir. Stephen Frears (Biografia/Drama/Histórico.2006)
  • Filme: As pontes de Madison. Dir. de jay Hart. (drama - abaixo segue sinopse postada)
  • Filme: Domésticas o Filme. De Nando Olival e Fernando Meirelles. (abaixo sinopse postada)
  • Filme: Efeito Borboleta. Dir. Eric Bress , J. Mackye Gruber (Ficção, 2004.)
  • Filme: Frida. Dir. Julie Taymor. (drama, 2003)
  • Filme: Mulheres a beira de um ataque de edteria. Por Almodovar
  • Filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulaim. Imegem Filmes
  • Filme: Perfume. Dir. Tom Tykwer.(Ficção. 2006)
  • Filme: QUEM SOMOS NÓS? Uma nova evolução. PlayArt
  • Livro: Carta sobre a felicidade. Ed. Unesp. Epicuro.
  • Livro: Discurso do método - meditações. René Descartes. Martin Claret.
  • LIvro: FALO: a imagem do sagrado masculino,Ed. Paulinas. de Eugene Munique
  • Livro: Manifesto Comunista. Karl Marx.
  • Livro: O Que é Homossexualidade. Por Peter Fry e Edward MacRae. Ed. Abril Cultural e Brasiliense
  • Livro: O que é religião; Rubem Alves. Ed. Abril Cultural e Brasiliense
  • Livro: Por amor as cidades. Por Jacques le Goff. Ed. Teorema. (temática medieval)
  • Livro: Textos básicos de ètica: de Platão a Foucalt. Por Danilo Marcondes.
  • Livro: Ética. Por Frei Betto, Eugenio Barba e Jurandir Freire Costa. Ed. Garamond.
  • Livros: Trilogia de Robert Johnson. We, She e He.
  • Sítio: A TRANSEXUALIDADE E A GRAMÁTICA NORMATIVA DO SISTEMA DE GÊNERO: http://www.scielo.br/pdf/agora/v9n1/a04v9n1.pdf
  • Sítio: http://www.diversidadecatolica.com.br/

Pensamentos...

PARA SER GRANDE É NECESSÁRIO TER SIDO PEQUENO. PARA TOCAR OS CÉUS, ANTES É PRECISO TER TOCADAO A TERRA. PARA SE ETERNIZAR, É PRECISO ANTES TER SIDO HUMANO!











segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SÃO TOMAS DE AQUINO - LEITURA DE UMA ÉTICA TOMISTA. Por Ariadene Cristina e Ronaldo Rocha.



INTRODUÇÃO

“A Razão está para o intelecto como o movimento para o repouso.”
S. Tomás de Aquino

Tomás de Aquino foi um frade
dominicano e teólogo, italiano pelo lado de pai, e normando pelo lado da mãe, foi o mais distinto expoente entre os escolásticos. Tomás de Aquino nasceu em Roccasecca, no sul do Lácio em 1221, estudou em Monte Cassino, e depois na recém fundada Universidade de Nápoles. Entrou na ordem dos frades dominicanos, que o mandaram estudarem em Colônia, onde teve como professor Santo Alberto Magno.
Em 1256, foi admitido como Mestre na Universidade de Paris. Durante algum tempo, foi conselheiro teológico do Papa. Também foi chamado para ser teólogo do Concílio de Lyon, mas foi surpreendido pela morte aos 53 anos, em 7 de março de 1274, no mosteiro cisterciense de Fossanova.
Foi declarado Santo por João XXII, em 1323. Pio V o declarou Doutor da Igreja. Foi denominado Doctor Angelicus.
S. Tomás de Aquino achava que os pagãos somente poderiam ser convertidos ao cristianismo através de argumentos racionais, pois não se pode exigir fé de quem não crê. Desta maneira, para provar a existência de Deus, questão básica para que se desenvolva a fé cristã, ele elaborou cinco argumentos:



1º Argumento – Primeiro Motor Deus
Para que um determinado objeto se movimente há necessidade de um motor que o mova. Entretanto, esse motor precisará de outro que também o impulsione. Indefinidamente, um motor precisará de outro para fazê-lo movimentar. Desta maneira, forçosamente percebemos que existe um primeiro motor que impulsiona todos os outros motores.
Então, de acordo com a filosofia tomista, esse primeiro motor que move todos os outros motores é que deu origem ao movimento é DEUS.


2º Argumento – Causa e Efeito
Este argumento se relaciona com a causa e efeito de todas as coisas. Todas as coisas que existem no universo foram criadas. Se elas existem, podemos dizer que foram criadas por alguma causa. Desta maneira, o ser criado é o efeito de uma causa qualquer. Por exemplo: o homem perdeu o chapéu porque o vento forte o arrancou de sua cabeça. Neste caso, o vento é a causa, cujo efeito foi arrancar o chapéu da cabeça do homem. Todo efeito precisa de uma causa que o origine.
Como todos os efeitos se originam de uma causa, se remontarmos causa por causa, chegaremos a uma causa primeira de todos os efeitos, uma causa que deu origem a toda a coisa, que é Deus. Portanto, de acordo com a filosofia tomista, o segundo argumento ou prova da existência de Deus é aquele que se refere à causa e efeito.


3º Argumento – Contingência
Todos os seres que conhecemos não são eternos. Não sendo eternos, antes de existirem, não decidiram sobre a razão de sua existência.
A razão da existência dos seres não foi decidida por eles próprios, mas por algo que está acima deles determinando a existência de cada um.
Ser contingente é aquele que possui em si próprio a razão de sua existência. Com isso, o terceiro argumento ou prova da existência de Deus é aquele que se refere à contingência dos seres.


4º Argumento - Perfeição
Um ser humano racionalmente normal procura imprimir em seus atos o máximo de perfeição. A busca da perfeição caracteriza o comportamento das pessoas normais. Um pintor, por exemplo, procura tornar o seu quadro o mais belo possível. Entretanto, por mais que se esforce, nunca conseguirá a perfeição absoluta. Os seres que conhecemos apenas participam, em diferentes graus, da perfeição absoluta, que é Deus. Desta maneira, o quarto argumento ou prova da existência de Deus refere-se aos graus de perfeição.


5º Argumento – Ordem Universal
Pode-se observar a harmonia das coisas no universo e se perceber que tudo segue uma ordem exata e perfeita. Percebe-se que do mais minúsculo ao mais gigantesco ser todos estão internamente organizados segundo os mesmos princípios e leis. Tudo obedece a uma organização inteligente.
Segundo Tomás de Aquino a ordem que existe no universo não é produto do acaso, mas fruto de uma inteligência superior. Existe um ser inteligente que dirige e ordena os seres do universo. Esse ser inteligente que comanda e dirige o universo é Deus.
Então, o quinto argumento ou prova da existência de Deus, segundo a filosofia tomista, é a ordem universal.




Santo Tomás mostra que há, em Aristóteles, uma filosofia verdadeiramente autônoma e independente do dogma, mas em harmonia com ele.
Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo, introduzindo o
aristotelismo. A partir dele, a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus. Sustentou que a filosofia não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Afirmou que não pode haver contradição entre fé e razão.
Explica que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do ser de
Deus, o mal é a ausência de uma perfeição devida, e a essência do mal é a privação ou ausência do bem.



SANTO AGOSTINHO E A FILOSOFIA PLATÔNICA

“A vida de santo Agostinho, minuciosamente narrada por ele próprio em Confissões, é quase uma demonstração, na prática de seu pensamento: experimentou o ceticismo quanto ao seu conhecimento, sofreu o abismo homem em pecado, reencontrou a esperança na graça de divina, conheceu a felicidade e a certeza da verdade na fé”.
História da Filosofia, Nova Cultural.

Por este pequeno trecho extraído da obra citada, podemos ter uma síntese da vida de santo Agostinho, o pecador que se tornaria bispo de Hipona. Durante quase um milênio o pensamento agostiniano predominou nos alicerces do cristianismo. Foi graças à Agostinho que a estrutura do pensamento de Platão atravessou quase todo o Medievo.
Como se sabe, a grosso modo, a filosofia platônica é basicamente expressa em seu Mito da Caverna onde expõe a existência de duas realidades: o mundo sensível e o mundo das idéias. No mundo sensível encontra-se as cópias, imperfeitas, das coisas verdadeiras existentes no mundo das idéias. Por analogia podemos observar nas obras de santo Agostinho as cidades de Deus e dos homens, sendo a primeira o modelo perfeito a ser buscado pelo segundo.

PROPOSTA ÉTICA EM SÃO TOMÁS DE AQUINO



Acima fora citado que o pensamento de santo Agostinho, por ser platônico, tinha a concepção de que o homem era um ser imperfeito e marcado pelo pecado original. Em são Tomás vemos que há a possibilidade, sim, da virtude do homem alcançar a perfeição.
Diferenciado da visão grega, em que a virtude está fortemente associada a pólis, com as virtudes de amizade, de coragem e de lealdade, a virtude em são Tomás vincula-se às virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade – amor à Deus e ao próximo. Outro dado importante é o conceito de eudaimonia interpretado por são Tomás como beatitude:


“ o homem, por todo e qualquer ato humano que proceda da vontade livre ( Sum. Theo. I-II, q.1ª.1 e 3), age em vista de um fim último, que é a felicidade ( In I Eth. Lec.9n.105)”[1]

São Tomás trata do libero arbitrio na questão 83 do Tratado Sobre o Homem partindo do principio do ato voluntário como ato de liberdade e racional. Este principio racional de escolha é determinante no campo da ética, pois, o livre-arbítrio decorre da racionalidade humana enquanto escolha do que é bom desfavorecendo o que mau.
Diferencia-nos dos animais que tem por instinto natural, por exemplo, a fuga diante de seu predador, enquanto o ser humano age com a faculdade, com o seu juízo segundo sua capacidade cognitiva de fugir ou não. Com relação ao final do parágrafo anterior que trata do que é bom e mau, trataremos sobre esta temática mais adiante.
Ainda sobre o fim último da felicidade, que em são Tomás é Deus,

“Tal felicidade, que consiste no conhecimento de Deus,o homem não atinge nesta vida, mas atinge a felicidade imperfeita, pelo conhecimento do amor de Deus e na prática das virtudes”( C.G. III,48\In X Eth. Lec.12, n.2111)”

Para são Tomás as virtudes são hábitos humanos. Estas virtudes são mais perfeitas segundo o ato e sua finalidade, isto é, uma potência é perfeita de acordo com o ato que a corresponde. Neste sentido o bom uso do livre-arbítrio, em são Tomás, é considerado um hábito, uma virtude. Pois o ato nada mais é do que o uso correto da liberdade.
Outro elemento importante para entender uma proposta ética em são Tomás é sua noção de Ato voluntário e Ato moral.
Por ato voluntário se entende aquele que procede de uma ação com conhecimento formal do fim e exclui violência. Este pode ser um ato livre ou necessário, positivo ou negativo; já ato moral entende-se aquela ação voluntária livre, acerca do bem ou do mal. A moralidade é em primeiro lugar especificada pelo objeto e depois, secundariamente, pelas circunstâncias – quem, o que, onde, com o que, porque, de que modo e quando – e pelo fim. A ausência moral, ou o ato moralmente mau, é denominado pecado.
Entende-se pecado como ausência ou privação de conformidade a adequação à regra moral e no ato aversivo e ofensivo à Deus, que é o fim último do ato moral. A regra máxima da moralidade é Deus. Esta se dá através da lei civil enquanto esta está inclinada a lei eterna de Deus.
É possível diferir entre ato e habito, bom e mau, consecutivamente, quanto a sua constância, exemplo: um ato bom não é habito bom, assim como a repetição de atos maus é um mau habito.
São propriedade das virtudes:
· Ser o meio termo entre excesso e deficiência;
· Possibilitar a ação fácil e prazerosa;
· Se relacionar com outras virtudes e logo com o fim último e
· Não se transformar em mau.
As virtudes intelectuais são de caráter prático e expeculativos, estas são três: intelecto, sinderésis e sabedoria; a outra inclina o intelecto a arte, que é o reto fazer e a prudência que é o reto agir.
As virtudes morais são quatro:
· Prudência, que é a virtude racional por essência e se dispõe a aperfeiçoar a razão;
· Justiça, que é racional por participação e dispõe ordenar a vontade;
· Fortaleza, que modera o apetite sensitivo irascível e a
· Temperança, que controla o apetite sensitivo concupiscível.
Até aqui discorremos que a virtude é a inclinação ao reto pensar, fazer ao que é perfeito e ao seu fim último que é Deus. Vimos também que pecado se contrapõe à virtude, entretanto não tratamos sobre a malícia e sobre o vicio.
Com relação a malícia, esta é aquela oposição às ordenanças da virtude e vício é o que se opõe a própria virtude. O vício é a privação de perfeição da natureza por disposição habitual contrária a mesma. Lembremos que o habito está entre a potência e o ato. Neste sentido em oposição às virtudes há também os vícios, que são:
· Soberba, apetite desordenado da própria excelência e inicio de todos os vícios;
· Avareza, apetite desordenado das riquezas, de qualquer bem temporal e corruptíveis;
· Inveja, apetite desordenado dos bens alheios;
· Preguiça, apetite desordenado que se configura como uma tristeza profunda;
· Ira, apetite desordenado que se configura como tristeza e se conflagra no desejo e na esperança de vingança;
· Gula, apetite desordenado do desejo e do deleite dos alimentos e
· Luxúria, apetite desordenado do desejo e dos prazeres sexuais.
Através desta pequena exposição de fragmentos do pensamento teológico e filosófico de são Tomás de Aquino, tentamos mostrar de que forma se pode deduzir uma ética tomista através de seus conceitos de virtude, potência, habito, ato e vicio.
No período medieval o homem encontra-se subordinado à Deus:

“Na religião cristã, o que o homem é e o que deve fazer definem-se essencialmente não em relação com uma comunidade humana ou com o universo inteiro, mas, antes de tudo, em relação a Deus”.
(VASQUEZ, 1978, p. 244).

Tendo visto que, sua obra, mesmo que inacabada, é extensa, não nos propomos em trabalhar direto nela, entretanto expomos, mesmo que minimamente, alguns trechos da mesma.
É importante para se entender sua proposta ética que este tem Aristóteles por base, isto é, uma nova configuração, um novo jeito de ver e pensar Deus.




REFERÊNCIAS:
ABRÃO, Bernadette Siqueira, A História da Filosofia, São Paulo, Nova Cultural, 2004.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Trad. Alexandre Corrêa. 2. ed. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lorenço, 1981.
REALE, Giovanni história da filosofia: patrística e escolástica, v.2/Giovanni Reale, Dario antiseri; - São Paulo: Paulus, 2003.
MARCONDES, Danilo, Textos Básicos de Ética: de Platão à Focault, Rio de Janeiro, Zahar, 2007.
www.aquinate.net/portal/Tomismo/Filosofia/tomismo-filosofia-a-etica-tomista.html
[1] Cf. www.aquinate.net.

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