
Eis uma questão que muito toma meus pensamentos: que educação ser oferecida para construirmos uma nação mais justa? Daí deriva outra questão: a educação é para “justificar”, isto é, para tornar a nossa sociedade mais “igual”?
Creio que, antes de qualquer coisa, para pensarmos num projeto pedagógico teríamos que principiarmos pela idéia de diversidade. Diversidade cultural, de múltiplas expressões de sexualidade/afetividade, diversas tendências espírito-religiosas. Uma proposta que tenha em mente que aqui não é a Europa e sim o Brasil: de um povo dizimado, de outro escravizado e de outro colonizador. Que leve em consideração o místico/sensível dos nossos indígenas, o traço rítmico/corpóreo dos nossos afro-descendentes e o racionalismo moderno europeu a nós importado.
Acredito que uma educação com princípios de base francisclariana , onde a fraternidade, cortesia, amor a Deus e a todas as pessoas. O dado místico na educação de base para mim é justificado ainda que não confessional pelo fato que a nossa cultura está imbricada de valores religiosos e mesmo porque a própria ciência vem mostrando quem mesmo que se tenha o ateu confesso, o homem sempre demonstrou inclinação ao sagrado , por isso creio que, mais que ensinar doutrinas, comunicar aos discentes o valor que e o benefício que se tem ter uma espiritualidade sadia.
Coloco a proposta de Francisco e Clara pelo fato de eles terem integrado à sua espiritualidade o relacionar-se com o outro na forma como ele me é dado por Deus e com o meio em que se vive não sei se existe, mas poderíamos falar de uma pedagogia “ecoespiritual”, onde fosse transmitido aos alunos o valor tanto de se integrar com a Natureza como de estar espiritualmente ligada a ela, cito a Legenda Maior de Boaventura (1221-1274), cap. VI:
“Cheio da maior comoção, ao considerar a origem comum de todas as coisas, dava a todas as criaturas, por mais desprezíveis que elas fossem, o doce nome de irmãs, pois sabia muito bem que todas tinham como ele a mesma origem”.
Por exemplo, segundo a Dr. Núbia França, na sua obra Relaxe e viva feliz, a Terra teria por assim dizer uma pulsão cardíaca que ficaria em torno de 7 a 12 ciclos por segundo, enquanto o homem ficaria em torno de 14 a 28 ciclos por segundo. O primeiro seria estado Alfa e o segundo Beta. Religiosos em estado de concentração/oração/meditação conseguem facilmente entrar em estado de Alfa, isto é, sua respiração fica mais lenta, como se fosse a de um bebe, colocando-o em uma harmonia cíclica com a Terra. Existem ainda outros dois ciclos ou estados: o Teta e o Delta; o primeiro ficaria em torno de 3 e 7 ciclos por segundo, neste a noção de tempo e espaço não existem e o segundo fica entre 0, alguma coisa e 3, pois o 0 total seria a morte.
Contudo, nossas pedagogias estão voltadas par uma educação tecnicista e racional. Ignorando o potencial tanto criativo quanto espiritual do homem.
Acredito numa proposta que justamente leve em consideração tanto os dados relativos à praticidade quanto aos que concernem ao imaterial. Nossa cultura é fortemente marcada pelo dado do sagrado, contudo filosofias como a Descartes e Hume foram mais determinantes às nossas pedagogias, com os elementos racionais e empíricos, em detrimento do fator subjetivo. Cito novamente Boaventura:
Não estudem unicamente para saber como falar, mas para pôr em prática primeiro aquilo que tiverem aprendido e, depois de terem posto em prática, para ensinar aos outros aquilo que eles devem fazer. Quero que meus irmãos sejam discípulos do Evangelho e que seus progressos no conhecimento da verdade sejam tais, que eles cresçam ao mesmo tempo na pureza da simplicidade. Dessa forma não hão de
separar aquilo que o Mestre uniu com sua bendita palavra: a simplicidade da pomba e a prudência da serpente (LM XI, 1).
Hoje nossa cultura é fortemente marcada pelo consumo. Somos ensinados que somos produtos de consumo do mercado de trabalho: “O teu currículo, é a vitrine!”. Francisco e Clara de Assis podem estar separados de nós por quase oito séculos, entretanto sua pedagogia da simplicidade é-nos urgente justamente pelo consumo desenfreado tanto do próprio ser humano como dos recursos naturais disponíveis a nós.
Como, contudo, aplicar uma pedagogia integralista com espaço adequado e adaptado num Brasil multicultural e a milhões de discentes do Ensino Fundamental e Médio? Lembremos que ainda que não importássemos um modelo europeu para nossa educação, não poderíamos da mesma forma transportar modelos regionais, entretanto a troca de experiência, com certeza, é sempre frutífera.
REFERÊNCIA:
http://www.fae.edu/pesquisaacademica/pdf/primeiro_seminario/visao_complexa_italo.pdf
Um comentário:
Muito bacana o que você diz!!!
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